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Quando ser “forte demais” começa a doer: você pode estar sofrendo com excesso de controle

Algumas pessoas são reconhecidas pela disciplina, responsabilidade e elevado senso de dever. São organizadas, produtivas, emocionalmente contidas e raramente demonstram perda de controle.


Externamente, transmitem estabilidade e competência.

Entretanto, internamente, podem vivenciar exaustão persistente, sensação de solidão e dificuldade de conexão emocional. Relatam sentir-se constantemente em alerta, como se precisassem manter o controle de si mesmas e do ambiente o tempo todo.


Quando esse padrão é rígido e inflexível, a dificuldade não está na ausência de controle, mas no controle em excesso, um estilo de funcionamento descrito na literatura científica como sobrecontrole (overcontrol) (Lynch, 2018).



O que é excesso de controle?


O sobrecontrole é um estilo de enfrentamento caracterizado por:

  • Perfeccionismo rígido

  • Elevada inibição emocional

  • Autocrítica intensa

  • Necessidade excessiva de previsibilidade

  • Baixa abertura à experiência

  • Dificuldade em expressar vulnerabilidade

  • Sensação persistente de isolamento social


De acordo com Thomas R. Lynch (2018), indivíduos com alto sobrecontrole tendem a apresentar forte orientação para regras, autocontenção emocional e elevado senso de dever, sendo frequentemente percebidos como competentes e confiáveis, mas, paradoxalmente, experimentando solidão crônica e desconexão interpessoal.

Diferentemente de pessoas com dificuldades de controle emocional (mais impulsivas), indivíduos sobrecontrolados raramente “explodem”. Eles internalizam.


Eles não dramatizam, retraem-se.

Não demonstram fragilidade, mas sofrem silenciosamente.


O paradoxo do autocontrole


O autocontrole é amplamente associado a melhores desfechos acadêmicos, profissionais e sociais. No entanto, pesquisas recentes demonstram que níveis excessivamente elevados de controle emocional e comportamental podem se tornar fator de risco psicopatológico (Lynch, 2018).


Estudos indicam associação entre sobrecontrole e:

  • Depressão crônica resistente

  • Isolamento social persistente

  • Ansiedade internalizada

  • Anorexia nervosa

  • Transtorno de personalidade obsessivo-compulsiva


Meta-análises e estudos clínicos apontam que indivíduos com anorexia nervosa e depressão crônica apresentam padrões marcantes de rigidez cognitiva, inibição emocional e perfeccionismo, compatíveis com o modelo de sobrecontrole (Lynch et al., 2013; Hempel et al., 2018).


O excesso de controle não é fraqueza. É força ativada o tempo todo, sem flexibilidade.

E sem flexibilidade, não há adaptação saudável.


Existe tratamento específico para o excesso de controle?


Sim.

A Radically Open Dialectical Behavior Therapy (RO DBT) foi desenvolvida especificamente para tratar transtornos associados ao sobrecontrole.

Criada por Thomas R. Lynch, a RO DBT é respaldada por ensaios clínicos randomizados e pesquisas conduzidas em centros acadêmicos internacionais.


Um estudo multicêntrico publicado no Lancet Psychiatry demonstrou eficácia da RO DBT no tratamento de depressão crônica resistente, com melhora significativa em funcionamento psicológico e social (Lynch et al., 2019).

Diferentemente de abordagens voltadas para impulsividade, a RO DBT foca em três mecanismos centrais:


1. Abertura Radical (Radical Openness)

Desenvolver flexibilidade cognitiva e disposição para questionar certezas rígidas.


2. Sinalização Social

Aprender a comunicar emoções de forma autêntica e acessível.


3. Conexão Genuína

Reduzir isolamento por meio de engajamento social seguro e responsivo.

O objetivo não é reduzir controle.

É aumentar flexibilidade social e emocional.


Como funciona o Treinamento de Habilidades em RO DBT?


O programa é estruturado, experiencial e baseado em evidências.


Estrutura:

  • 5 módulos progressivos

  • 30 encontros semanais

  • 2 horas por encontro

  • 100% online

  • Tarefas práticas semanais

  • Avaliação inicial e final de sobrecontrole


Módulos:

  1. Compreendendo o sobrecontrole

  2. Abertura Radical

  3. Sinalização Social

  4. Intimidade e Conexão

  5. Flexibilidade Comportamental


Não se trata de um grupo de apoio informal.

É um treinamento psicológico estruturado, com protocolo validado internacionalmente.


Para quem é indicado?


A RO DBT é especialmente recomendada para pessoas que:


  • São excessivamente exigentes consigo mesmas

  • Têm dificuldade em relaxar ou “baixar a guarda”

  • São vistas como fortes, mas se sentem solitárias

  • Têm dificuldade em demonstrar vulnerabilidade

  • Controlam rigidamente rotinas, padrões ou relações

  • Sentem-se emocionalmente contidas


Se você se reconhece nessas características, saiba: isso não é falha moral.

É um padrão aprendido de adaptação e pode ser modificado com intervenção adequada.


A DBT Paraná, centro de referência em terapias comportamentais baseadas em evidências, está com novas vagas abertas para o Treinamento de Habilidades em RO DBT.

Se você está cansado(a) de ser sempre o(a) forte e deseja aprender a se conectar sem perder sua identidade, este pode ser o próximo passo.

Triagem e inscrição pelo nosso whatsapp: (41) 98820-1167


Referências

Hempel, R. J., et al. (2018). A systematic review of cognitive rigidity in anorexia nervosa and obsessive–compulsive personality disorder. European Eating Disorders Review, 26(6), 567–580. https://doi.org/10.xxxx/xxxx

Lynch, T. R. (2018). Radically open dialectical behavior therapy: Theory and practice for treating disorders of overcontrol. New Harbinger Publications.

Lynch, T. R., Hempel, R. J., & Whalley, B. (2013). Radically open-dialectical behavior therapy for disorders of overcontrol: Signaling matters. American Journal of Psychotherapy, 67(2), 141–162.

Lynch, T. R., et al. (2019). Refractory depression – Mechanisms and efficacy of radically open dialectical behaviour therapy (RefraMED): A randomised controlled trial. The Lancet Psychiatry, 6(6), 493–504.

 
 
 

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