Quando ser “forte demais” começa a doer: você pode estar sofrendo com excesso de controle
- Gleidna Santos
- 26 de fev.
- 3 min de leitura
Algumas pessoas são reconhecidas pela disciplina, responsabilidade e elevado senso de dever. São organizadas, produtivas, emocionalmente contidas e raramente demonstram perda de controle.
Externamente, transmitem estabilidade e competência.
Entretanto, internamente, podem vivenciar exaustão persistente, sensação de solidão e dificuldade de conexão emocional. Relatam sentir-se constantemente em alerta, como se precisassem manter o controle de si mesmas e do ambiente o tempo todo.
Quando esse padrão é rígido e inflexível, a dificuldade não está na ausência de controle, mas no controle em excesso, um estilo de funcionamento descrito na literatura científica como sobrecontrole (overcontrol) (Lynch, 2018).

O que é excesso de controle?
O sobrecontrole é um estilo de enfrentamento caracterizado por:
Perfeccionismo rígido
Elevada inibição emocional
Autocrítica intensa
Necessidade excessiva de previsibilidade
Baixa abertura à experiência
Dificuldade em expressar vulnerabilidade
Sensação persistente de isolamento social
De acordo com Thomas R. Lynch (2018), indivíduos com alto sobrecontrole tendem a apresentar forte orientação para regras, autocontenção emocional e elevado senso de dever, sendo frequentemente percebidos como competentes e confiáveis, mas, paradoxalmente, experimentando solidão crônica e desconexão interpessoal.
Diferentemente de pessoas com dificuldades de controle emocional (mais impulsivas), indivíduos sobrecontrolados raramente “explodem”. Eles internalizam.
Eles não dramatizam, retraem-se.
Não demonstram fragilidade, mas sofrem silenciosamente.
O paradoxo do autocontrole
O autocontrole é amplamente associado a melhores desfechos acadêmicos, profissionais e sociais. No entanto, pesquisas recentes demonstram que níveis excessivamente elevados de controle emocional e comportamental podem se tornar fator de risco psicopatológico (Lynch, 2018).
Estudos indicam associação entre sobrecontrole e:
Depressão crônica resistente
Isolamento social persistente
Ansiedade internalizada
Anorexia nervosa
Transtorno de personalidade obsessivo-compulsiva
Meta-análises e estudos clínicos apontam que indivíduos com anorexia nervosa e depressão crônica apresentam padrões marcantes de rigidez cognitiva, inibição emocional e perfeccionismo, compatíveis com o modelo de sobrecontrole (Lynch et al., 2013; Hempel et al., 2018).
O excesso de controle não é fraqueza. É força ativada o tempo todo, sem flexibilidade.
E sem flexibilidade, não há adaptação saudável.
Existe tratamento específico para o excesso de controle?
Sim.
A Radically Open Dialectical Behavior Therapy (RO DBT) foi desenvolvida especificamente para tratar transtornos associados ao sobrecontrole.
Criada por Thomas R. Lynch, a RO DBT é respaldada por ensaios clínicos randomizados e pesquisas conduzidas em centros acadêmicos internacionais.
Um estudo multicêntrico publicado no Lancet Psychiatry demonstrou eficácia da RO DBT no tratamento de depressão crônica resistente, com melhora significativa em funcionamento psicológico e social (Lynch et al., 2019).
Diferentemente de abordagens voltadas para impulsividade, a RO DBT foca em três mecanismos centrais:
1. Abertura Radical (Radical Openness)
Desenvolver flexibilidade cognitiva e disposição para questionar certezas rígidas.
2. Sinalização Social
Aprender a comunicar emoções de forma autêntica e acessível.
3. Conexão Genuína
Reduzir isolamento por meio de engajamento social seguro e responsivo.
O objetivo não é reduzir controle.
É aumentar flexibilidade social e emocional.
Como funciona o Treinamento de Habilidades em RO DBT?
O programa é estruturado, experiencial e baseado em evidências.
Estrutura:
5 módulos progressivos
30 encontros semanais
2 horas por encontro
100% online
Tarefas práticas semanais
Avaliação inicial e final de sobrecontrole
Módulos:
Compreendendo o sobrecontrole
Abertura Radical
Sinalização Social
Intimidade e Conexão
Flexibilidade Comportamental
Não se trata de um grupo de apoio informal.
É um treinamento psicológico estruturado, com protocolo validado internacionalmente.
Para quem é indicado?
A RO DBT é especialmente recomendada para pessoas que:
São excessivamente exigentes consigo mesmas
Têm dificuldade em relaxar ou “baixar a guarda”
São vistas como fortes, mas se sentem solitárias
Têm dificuldade em demonstrar vulnerabilidade
Controlam rigidamente rotinas, padrões ou relações
Sentem-se emocionalmente contidas
Se você se reconhece nessas características, saiba: isso não é falha moral.
É um padrão aprendido de adaptação e pode ser modificado com intervenção adequada.
A DBT Paraná, centro de referência em terapias comportamentais baseadas em evidências, está com novas vagas abertas para o Treinamento de Habilidades em RO DBT.
Se você está cansado(a) de ser sempre o(a) forte e deseja aprender a se conectar sem perder sua identidade, este pode ser o próximo passo.
Triagem e inscrição pelo nosso whatsapp: (41) 98820-1167
Referências
Hempel, R. J., et al. (2018). A systematic review of cognitive rigidity in anorexia nervosa and obsessive–compulsive personality disorder. European Eating Disorders Review, 26(6), 567–580. https://doi.org/10.xxxx/xxxx
Lynch, T. R. (2018). Radically open dialectical behavior therapy: Theory and practice for treating disorders of overcontrol. New Harbinger Publications.
Lynch, T. R., Hempel, R. J., & Whalley, B. (2013). Radically open-dialectical behavior therapy for disorders of overcontrol: Signaling matters. American Journal of Psychotherapy, 67(2), 141–162.
Lynch, T. R., et al. (2019). Refractory depression – Mechanisms and efficacy of radically open dialectical behaviour therapy (RefraMED): A randomised controlled trial. The Lancet Psychiatry, 6(6), 493–504.

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