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Pessoa Favorita no Transtorno da Personalidade Borderline: mito ou realidade?



O termo Favorite Person (FP), frequentemente traduzido como "Pessoa Favorita", surgiu inicialmente em comunidades virtuais de pessoas com Transtorno da Personalidade Borderline (TPB) e tornou-se amplamente difundido em redes sociais, fóruns de discussão e plataformas digitais voltadas à saúde mental. De forma geral, o termo é utilizado para descrever uma relação interpessoal percebida como excepcionalmente intensa, emocionalmente central e altamente influente sobre o funcionamento afetivo cotidiano do indivíduo.

Apesar de sua popularidade entre pacientes e em ambientes digitais, "Pessoa Favorita", não é um conceito reconhecido pelos sistemas classificatórios internacionais, como o Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders (DSM-5-TR) ou a Classificação Internacional de Doenças (CID-11). Também não representa um critério diagnóstico, um sintoma específico ou um construto psicopatológico validado pela literatura científica (American Psychiatric Association, 2022; World Health Organization, 2022).

O interesse acadêmico pelo fenômeno é relativamente recente, e as evidências atualmente disponíveis permanecem limitadas. A maior parte dos estudos consiste em análises qualitativas de relatos publicados em comunidades virtuais e redes sociais, não havendo, até o momento, estudos epidemiológicos robustos ou modelos teóricos próprios que sustentem o reconhecimento da chamada "Pessoa Favorita", como entidade clínica independente (Jeong et al., 2022; Stein & Johnson, 2025). Dessa forma, o termo deve ser compreendido como uma descrição fenomenológica utilizada por alguns pacientes para comunicar uma experiência subjetiva específica, e não como uma categoria diagnóstica ou um fenômeno psicopatológico distinto.

Essa interpretação é consistente com os principais modelos contemporâneos do TPB. Autores como Linehan (1993, 2015), Fonagy et al. (2015, 2017), Gunderson et al. (2018) e Sharp e Wall (2021) descrevem mecanismos amplamente reconhecidos no transtorno, incluindo hipersensibilidade ao abandono, padrões de apego inseguros, dificuldades de mentalização, instabilidade da identidade, dificuldades de regulação emocional e relações interpessoais intensas e instáveis. Em indivíduos com histórias de trauma interpessoal precoce, dissociação e alterações persistentes na regulação emocional, modelos contemporâneos como a DBT-PTSD desenvolvida por Bohus e colaboradores ampliam a compreensão de apresentações clínicas mais complexas associadas ao TPB e ao trauma complexo (Bohus et al., 2019; Bohus et al., 2020). Esses modelos oferecem uma base teórica para compreender os relatos popularmente denominados "Pessoa Favorita", sem a necessidade de propor um novo construto clínico.


Manifestações fenomenológicas e dinâmica relacional


Os estudos qualitativos publicados até o momento sugerem que alguns indivíduos com TPB descrevem uma tendência a concentrar grande parte de suas necessidades de regulação emocional em uma única pessoa. Nesses casos, a disponibilidade, a atenção e a aprovação dessa figura exercem influência significativa sobre o estado emocional do indivíduo, enquanto situações de afastamento, indisponibilidade ou estabelecimento de limites interpessoais podem ser interpretadas como sinais de rejeição, desencadeando intenso sofrimento psicológico (Stein & Johnson, 2025).

Entre as manifestações mais frequentemente descritas nos relatos disponíveis, destacam-se:

  • necessidade intensa de proximidade física, comunicação frequente e contato continuado;

  • busca recorrente por validação emocional, aprovação e reasseguramento;

  • sofrimento significativo diante de atrasos em respostas, indisponibilidade temporária ou distância emocional;

  • tendência à idealização da relação e da figura de apego, alternada por períodos de desvalorização quando há percepção de falhas, frustrações ou rejeição;

  • sensação de vazio, desorganização emocional ou intensificação do medo de abandono quando o vínculo é percebido como ameaçado.

Nos relatos publicados, a pessoa considerada "favorita" pode assumir diferentes papéis sociais, como parceiro romântico, amigo, familiar, terapeuta, outro profissional de saúde ou professor. Em geral, trata-se de alguém percebido inicialmente como acolhedor, disponível e responsivo às necessidades emocionais do indivíduo. Entretanto, quando ocorre uma concentração excessiva das estratégias de regulação emocional nesse único vínculo, a relação pode evoluir para ciclos de dependência interpessoal, necessidade crescente de proximidade, conflitos recorrentes e instabilidade relacional (Jeong et al., 2022; Stein & Johnson, 2025).

É importante destacar que essas dinâmicas não são exclusivas do Transtorno da Personalidade Borderline e podem ser observadas em outros contextos clínicos ou mesmo em indivíduos sem diagnóstico psiquiátrico formal. Da mesma forma, nem todas as pessoas com TPB relatam vivenciar esse tipo de vínculo, reforçando que a chamada "Pessoa Favorita" não constitui um sintoma obrigatório nem um elemento definidor do transtorno.


Mecanismos psicopatológicos e substratos neurobiológicos


Os vínculos descritos por alguns pacientes como envolvendo uma "Pessoa Favorita" podem ser compreendidos à luz de mecanismos psicopatológicos e neurobiológicos já amplamente descritos na literatura sobre o Transtorno da Personalidade Borderline (TPB) (Fonagy et al., 2015; Fonagy et al., 2017; Gunderson et al., 2018; Bohus et al., 2021). Em vez de representar um fenômeno independente, esses vínculos parecem refletir a interação entre vulnerabilidade emocional, padrões de apego inseguros, dificuldades de autorregulação e alterações em sistemas neurais relacionados ao processamento emocional e às relações interpessoais.


1. Modelos de apego e regulação afetiva

Indivíduos com TPB apresentam elevada prevalência de estilos de apego inseguros, especialmente os padrões ansioso e desorganizado, caracterizados por hiperativação do sistema de apego e hipersensibilidade a sinais de rejeição ou abandono (Agrawal et al., 2004; Fonagy et al., 2015).

Nesse contexto, a pessoa descrita pelo indivíduo como sua "Pessoa Favorita", frequentemente passa a desempenhar, na prática, funções semelhantes às de uma figura de apego altamente centralizada. Diante de dificuldades de autoacalmamento e autorregulação emocional, o indivíduo pode recorrer predominantemente a essa relação como sua principal fonte de regulação interpessoal, buscando alívio para o sofrimento, validação emocional e sensação de segurança (Agrawal et al., 2004; Fonagy et al., 2015). 


2. Correlatos neurobiológicos e estudos de neuroimagem  

A literatura neuropsiquiátrica demonstra que a desregulação emocional e a instabilidade interpessoal no TPB estão associadas a alterações estruturais e funcionais em redes cortico-límbicas específicas (Bohus et al., 2021; Gunderson et al., 2018):

  • Hiperreatividade amigdaliana: Diante de ameaças percebidas de abandono ou de estímulos neutros sob o ponto de vista social, indivíduos com TPB exibem hiperativação da amígdala, gerando respostas desproporcionais de alarme e ansiedade relacional. 

  • Déficit do controle top-down pelo córtex pré-frontal: Há uma redução no recrutamento e na conectividade funcional de regiões do córtex pré-frontal (incluindo o córtex pré-frontal dorsolateral e o córtex cingulado anterior), resultando na falha em inibir ou reavaliar cognitivamente estados afetivos intensos desencadeados pela indisponibilidade do parceiro. Em outras palavras: o "freio" cognitivo-emocional fica menos eficiente, especialmente em situações de alta ativação emocional. Não significa que o córtex pré-frontal esteja "desligado" ou que a pessoa não tenha controle. Essa é uma simplificação inadequada. O que a literatura sugere é uma menor eficiência momentânea na regulação de respostas emocionais intensas, principalmente sob estresse.

  • Sistemas de neuromodulação do apego: Alterações nos sistemas neuroquímicos centrais, como o sistema de ocitocina e os receptores opioides endógenos, têm sido implicadas na dor social e na dificuldade de estabelecer confiança epistêmica e estabilidade interpessoal (Fonagy et al., 2015). Os receptores opioides endógenos são estruturas presentes nas células do sistema nervoso (principalmente neurônios) que respondem a substâncias produzidas pelo próprio organismo chamadas opioides endógenos (como endorfinas, encefalinas e dinorfinas).

O afastamento dessa figura pode recrutar redes neurais parcialmente compartilhadas com aquelas envolvidas na dor física e na dor social, contribuindo para a intensidade subjetiva do sofrimento experimentado por alguns indivíduos.  


Repercussões clínicas e implicações terapêuticas 

Quando grande parte da regulação emocional depende de uma única relação interpessoal, cria-se uma condição de elevada vulnerabilidade psicológica. Embora esse vínculo possa produzir uma sensação temporária de segurança, sua instabilidade torna o indivíduo particularmente sensível a afastamentos reais ou percebidos. Diante dessas rupturas, podem ocorrer exacerbações dos sintomas nucleares do Transtorno da Personalidade Borderline (TPB), tais como:

  • crises de desregulação afetiva aguda e sentimentos profundos de vazio;

  • aumento da impulsividade e da reatividade interpessoal;

  • tentativas desesperadas de restaurar a proximidade;

  • elevação do risco de comportamentos autolesivos não suicidas e de ideação ou comportamento suicida em indivíduos vulneráveis.

Paralelamente, a pessoa percebida pelo indivíduo como sua "Pessoa Favorita" também pode experimentar consequências decorrentes dessa dinâmica relacional. A expectativa implícita de funcionar como principal ou único regulador emocional do outro pode gerar sobrecarga psicológica, desgaste relacional e dificuldades no estabelecimento de limites interpessoais saudáveis.

Essas repercussões evidenciam que o problema não reside na intensidade do vínculo em si, mas na concentração excessiva da regulação emocional em uma única relação interpessoal. Por esse motivo, as intervenções baseadas em evidências buscam ampliar a autonomia emocional e promover maior flexibilidade nos relacionamentos, em vez de eliminar os vínculos afetivos.


Intervenções baseadas em evidências.

Não existem evidências que demonstrem que vínculos intensos sejam inevitavelmente desadaptativos. As evidências atualmente disponíveis não sustentam intervenções voltadas para "eliminar essa Pessoa Favorita". Em vez disso, o foco d é reduzir a dependência excessiva de uma única relação interpessoal por meio do fortalecimento da autonomia emocional, da flexibilidade interpessoal e da ampliação da rede de apoio. 

Ensaios clínicos randomizados e revisões sistemáticas confirmam que psicoterapias estruturadas para o TPB, tais como a Terapia Comportamental Dialética (DBT), a Mentalization-Based Treatment (MBT), a Transference-Focused Psychotherapy (TFP) e a Schema Therapy, promovem ganhos significativos na regulação emocional e na estabilidade relacional (Bohus et al., 2021; Stoffers-Winterling et al., 2022; Storebø et al., 2020).

As intervenções baseadas em evidências para o TPB recomendam focar nas seguintes metas terapêuticas interpessoais e de regulação emocional:

  • Treinamento de habilidades de regulação emocional e tolerância ao mal-estar (DBT): visando aumentar a capacidade de manejar estados emocionais intensos, reduzir respostas impulsivas e ampliar o repertório de estratégias de autorregulação, diminuindo a necessidade de recorrer exclusivamente a relações interpessoais para aliviar o sofrimento.

  • Treinamento de efetividade interpessoal (DBT): com foco no desenvolvimento de relações mais equilibradas, comunicação assertiva, expressão adequada de necessidades, negociação, estabelecimento de limites e redução de padrões relacionais marcados por medo de abandono, submissão excessiva ou busca intensa de validação.

  • Práticas de mindfulness aplicadas ao funcionamento interpessoal (DBT): favorecendo a observação dos próprios pensamentos, emoções, impulsos e interpretações nas relações, reduzindo respostas automáticas e aumentando a flexibilidade comportamental.

  • Fortalecimento da capacidade de mentalização (MBT): promovendo maior compreensão dos próprios estados mentais e dos estados mentais dos outros, reduzindo interpretações rígidas sobre intenções alheias e favorecendo relações mais estáveis.

  • Desenvolvimento de autocompaixão e práticas contemplativas de bondade amorosa como estratégias complementares: auxiliando na redução da autocrítica, no fortalecimento da segurança interna e na construção de uma relação mais equilibrada consigo e com os outros.

  • Ampliação e diversificação da rede de apoio social: favorecendo múltiplas fontes de conexão emocional e reduzindo a concentração das necessidades de validação, segurança e regulação emocional em uma única relação.


Toda pessoa com TPB tem uma "Pessoa Favorita"?


As evidências científicas atualmente disponíveis não sustentam que a presença de uma "Pessoa Favorita" seja uma característica universal, critério diagnóstico ou sintoma obrigatório do Transtorno da Personalidade Borderline (TPB). Embora algumas pessoas com TPB descrevam vínculos que se aproximam desse fenômeno, outras nunca relatam essa experiência ao longo da vida, ou podem vivenciá-la apenas em determinados períodos ou contextos relacionais.

A heterogeneidade clínica é uma característica central do Transtorno da Personalidade Borderline (TPB). O transtorno pode manifestar-se por diferentes combinações de sintomas, incluindo desregulação emocional, impulsividade, sentimentos crônicos de vazio, instabilidade da identidade, comportamentos autolesivos, dissociação e dificuldades interpessoais, resultando em perfis clínicos bastante variados entre os indivíduos (American Psychiatric Association, 2022; Gunderson et al., 2018). Essa variabilidade está alinhada à compreensão contemporânea do TPB como um transtorno dimensional e multifatorial, no qual diferentes trajetórias de desenvolvimento, vulnerabilidades temperamentais e experiências ambientais podem contribuir para manifestações clínicas distintas (Linehan, 1993). Além disso, parte dessa heterogeneidade clínica envolve indivíduos com história de trauma interpessoal precoce, sintomas dissociativos e características compatíveis com apresentações de trauma complexo, aspectos que têm sido investigados no desenvolvimento de modelos terapêuticos específicos, como a DBT-PTSD proposta por Bohus e colaboradores (Bohus et al., 2019; Bohus et al., 2020).

Quando a experiência descrita como "Pessoa Favorita" está presente, ela não deve ser compreendida como um fenômeno diagnóstico independente, mas pode ser analisada à luz de processos relacionais e emocionais já descritos no TPB, como hipersensibilidade ao abandono, dificuldades de autorregulação emocional, padrões de apego inseguros e maior dependência da regulação interpessoal em determinados momentos de sofrimento emocional.

Assim, a ausência dessa experiência não torna o diagnóstico menos provável, da mesma forma que sua presença isolada não caracteriza o transtorno. A compreensão clínica deve considerar o funcionamento global do indivíduo, sua história de desenvolvimento, padrões relacionais, estratégias de regulação emocional e prejuízos associados.


A pessoa favorita é sempre um parceiro romântico?

Embora relacionamentos amorosos frequentemente constituam um contexto propício para o desenvolvimento desse tipo de vínculo, devido ao elevado grau de intimidade, proximidade e investimento emocional, a chamada "Pessoa Favorita" não se restringe a parceiros românticos.

Os relatos disponíveis na literatura e na prática clínica indicam que a figura percebida como "Pessoa Favorita" pode corresponder a diferentes pessoas, como um amigo, um familiar, um terapeuta, outro profissional da saúde, um professor ou qualquer indivíduo que passe a ocupar uma posição central na regulação emocional e nas necessidades de apego do indivíduo.

Mais do que o papel social desempenhado pela pessoa, o aspecto central parece ser a função que ela exerce na experiência subjetiva do indivíduo. Em alguns casos, essa figura torna-se a principal fonte de validação emocional, segurança percebida e regulação interpessoal, fazendo com que sua disponibilidade, atenção ou eventual afastamento tenham impacto desproporcional sobre o estado emocional do indivíduo.

Assim, o fenômeno não deve ser compreendido como característico de um tipo específico de relacionamento, mas como uma forma particular de organização dos vínculos interpessoais que pode emergir em diferentes contextos relacionais e cuja compreensão é mais bem fundamentada pelos modelos contemporâneos do apego, da regulação emocional e da psicopatologia do Transtorno da Personalidade Borderline.


Como a DBT trabalha a "Pessoa Favorita"?


Embora o termo "Pessoa Favorita" não faça parte da terminologia oficial da Terapia Comportamental Dialética (DBT), a abordagem oferece um modelo de compreensão para entender por que determinados vínculos podem assumir uma função central na regulação emocional de algumas pessoas. Na perspectiva da DBT, o foco terapêutico não recai sobre a relação em si, mas sobre a função que ela exerce. Quando uma única pessoa passa a concentrar grande parte da regulação emocional, da sensação de segurança e da validação interpessoal, o objetivo do tratamento não é romper esse vínculo, mas reduzir sua centralidade por meio da ampliação do repertório comportamental, do fortalecimento da autorregulação emocional e da construção de múltiplas fontes de reforçamento e apoio.

A partir dessa formulação, a terapia busca modificar os processos que mantêm esse padrão relacional:

  1. Da predominância da corregulação para o fortalecimento da autorregulação emocional.

  2. Da centralização da regulação emocional em uma única relação para maior flexibilidade interpessoal.

  3. Da dependência de uma única fonte de reforçamento para uma vida com múltiplas fontes de significado e reforçamento.

  4. Da urgência emocional para respostas comportamentais guiadas por valores e objetivos de longo prazo.


É possível construir relações intensas sem dependência interpessoal?


As evidências científicas indicam que relações afetivas intensas e emocionalmente significativas não constituem, por si só, indicadores de dependência interpessoal ou de funcionamento relacional desadaptativo. A intensidade emocional pode estar presente em vínculos saudáveis, desde que seja acompanhada de autonomia, reciprocidade, flexibilidade e respeito aos limites interpessoais.

No contexto do Transtorno da Personalidade Borderline (TPB), a dificuldade não reside na intensidade dos relacionamentos, mas na concentração excessiva da regulação emocional em uma única pessoa. Quando a regulação emocional e a sensação de segurança passam a depender predominantemente da disponibilidade, da validação ou da proximidade dessa figura, o vínculo torna-se mais vulnerável a ciclos de sofrimento associados ao medo de abandono, à hipervigilância interpessoal e à instabilidade emocional.

As psicoterapias baseadas em evidências, buscam fortalecer a autorregulação emocional, ampliar a flexibilidade interpessoal e diversificar as fontes de apoio e de regulação emocional. Nesse contexto, favorecem o desenvolvimento de relações caracterizadas pela interdependência saudável, nas quais existe proximidade afetiva sem perda da autonomia individual. Assim, o oposto da dependência interpessoal não é o distanciamento emocional, mas a capacidade de construir relacionamentos seguros, recíprocos e sustentáveis.


Considerações finais 


O conceito de "Pessoa Favorita" possui utilidade descritiva para acolher e compreender determinados relatos fenomenológicos de pacientes com TPB na prática clínica diária. Contudo, o termo carece de validação nosológica para ser considerado uma entidade clínica autônoma, um critério diagnóstico ou um sintoma obrigatório do transtorno.

Os relatos associados a esse vínculo  são adequadamente explicados pelos modelos psicopatológicos e neurobiológicos já consolidados sobre o TPB, refletindo a interação entre alterações em sistemas neurais envolvidos na regulação emocional, padrões de apego inseguros e estratégias desadaptativas de regulação emocional (Fonagy et al., 2015; Fonagy et al., 2017; Gunderson et al., 2018; Bohus et al., 2021).

Embora novas pesquisas, especialmente estudos longitudinais e quantitativos, ainda sejam necessárias, a interpretação clínica mais consistente permanece fundamentada nos modelos científicos atualmente estabelecidos para o TPB. Para pessoas que se identificam com essa experiência, a mensagem mais importante é que o sofrimento associado a essa relação centralizada  é compreensível e pode ser explicado pelos mecanismos já conhecidos do TPB. Mais importante do que determinar se alguém possui ou não uma 'Pessoa Favorita' é compreender os mecanismos psicológicos envolvidos e desenvolver habilidades que promovam maior autonomia emocional, relações mais seguras e uma rede de apoio mais ampla. Esse é justamente um dos principais objetivos de tratamentos baseados em evidências, como a Terapia Comportamental Dialética (DBT), que buscam aumentar a autonomia emocional sem invalidar a importância dos relacionamentos. 

A DBT Paraná é uma instituição dedicada à implementação, pesquisa e desenvolvimento da Terapia Comportamental Dialética (DBT), com atuação voltada à formação de profissionais e ao atendimento especializado de indivíduos com diagnóstico de Transtorno da Personalidade Borderline (TPB), desregulação emocional severa e condições clínicas associadas.

Com base no modelo desenvolvido por Marsha Linehan e em protocolos contemporâneos fundamentados em evidências, a instituição oferece assistência a pacientes no Brasil e a brasileiros residentes em diferentes países, contribuindo para o acesso a um tratamento estruturado, especializado e alinhado aos padrões internacionais de aplicação da DBT.

Ao longo de sua atuação, a DBT Paraná tem recebido pacientes encaminhados por profissionais e serviços especializados, nacionais e internacionais, para avaliação, continuidade de tratamento e acompanhamento dentro de um modelo terapêutico baseado em evidências.

Oferecemos programas terapêuticos estruturados e de acordo com as evidências científicas, desenvolvidos para atender às necessidades individuais de cada paciente, além de programas de suporte, orientação e treinamento para familiares e pessoas envolvidas no processo de cuidado.

Se você ou sua família estão buscando um acompanhamento especializado em Terapia Comportamental Dialética, entre em contato com nossa equipe para conhecer nossas modalidades de atendimento e compreender como podemos auxiliar no desenvolvimento de estratégias de regulação emocional, manejo de crises e construção de uma vida que vale a pena ser vivida.



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